Passagem

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Ter um novo ano pela frente é perturbador, janeiro, o mês que deveria dar alívio, amedronta. Imaginar todo o novo percurso, voltar novamente a estaca zero, não é fácil.

Mas poder desfrutar de novas experiências. Essa é a parte boa. Para alguns a novidade de ser mãe, para outros de realizar um novo curso, não importa onde ou quando, as vivências sempre estarão em nossas memórias para que possamos relembrá-las constantemente.

Pois é, iremos lembrar os nossos anos para o resto de nossas vidas, procuro imaginar como irei contar minhas experiências aos meus filhos, quando estou prestes a realizar um ato do qual não me orgulho, tento pensar antes, se o que eu estou fazendo é algo que eu quero que eu quero que meus filhos e netos repitam.

E é assim que sigo a rota da vida, a jornada que parece um teatro, geralmente, para nós adolescentes, temos muitos altos e baixos em nosso humor, o drama e a comédia são obrigados a se unirem e criar uma grande obra, na qual eu sou a protagonista, diretora e produtora, ou seja, sou eu quem escolho os atores que farão parte dela.

O Beijo da Morte

por: Valentina Squadroni

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Era por volta da meia noite quando eu ouvi os gritos, eu estava dormindo e fui acordada da pior forma. Tive medo de quem os provocou. Sai de meu quarto e não vi ninguém. Voltei, peguei meu celular e saí. As correntes de ar eram congelantes, as árvores eram negras como a noite e tudo estava de uma escuridão absoluta se não fosse pela clara luz da lua.

Ouvi novamente o grito, desta vez mais intenso. E mais perto. Tive medo e segurei meu celular mais forte, junto ao peito. Vi sua silhueta pela noite. Dele e de uma garota. Ela estava em seus braços dando indícios de inconsciente, completamente caída sendo sustentada por ele. Lagrimas me veio aos olhos. Não podia conte-las mais, era muito mais difícil do que eu podia imaginar ! Comecei a correr na direção oposta o mais rápido que pude, e as lágrimas corriam pelo meu rosto de forma incontrolável. Porque ele ? Deus, mas porque ele ? Repetia isso para mim milhares de vezes, em minha mente, mas não me conformava. Tinha vontade de voltar e confirmar a presença dele. Aquele corpo escultural. Aqueles lábios corados e carnudos, os cabelos, oh, os cabelos dele, era de um bagunçado perfeito, a cor, era um tipo de marrom desconhecido por mim, antes de conhecê-lo. Os olhos, não eram comuns, eram inconstantes, quando eu o beijava, ficavam azuis como o mar mas quando eu o vi hoje, ou mesmo quando ele tem de fazer viagens repentinas, a cor passa para um negro tão profundo quanto o inferno.

Cheguei ao meu quarto. Deitei na cama, e fiquei chorando. Finalmente o sono me tomou profundamente.

Até que novamente fui acordada, mas desta vez eram aproximadamente cinco da manhã e não havia nenhum grito. Somente uma voz sedosa, mais parecida a um sussurro. Meu coração já estava querendo saltar de meu peito. Foi quando eu olhei o dono daquela voz, mesmo sabendo quem era. Era ele. Eu sabia, mas como eu poderia estar tão calma em um momento como aquele ? Eu não queria admitir a mim mesma mas eu sentia segura com ele perto de mim, principalmente ao meu lado como ele fazia.

– Eu te vi. O que aconteceu com ela? – perguntei com uma certa indiferença na voz que me surpreendeu.

– Nada. – Ai, como eu odiava quando ele falava assim “Nada” eu mereço mais do que um simples nada. Ele me devia uma resposta.

– Eu sei que aconteceu alguma coisa ! Não minta para mim Will ! Eu a vi. – Não dava para continuar, era difícil demais. Eu tinha ideias, eu imaginava. Queria saber o que estava acontecendo com as meninas, e precisava saber quem ele era de verdade. Com esse pensamento um buraco foi aberto ao meu peito. Ele doía mais do que eu imaginava que poderia doer.

– Eu não estou mentindo. De que garota você esta falando ? Você não esta muito coerente hoje, Anjo. – Ele disse com aflição na voz. Sabia que algo estava de errado.

– Oh, por favor, não me chame de Anjo. Eu tenho certeza do que vi. Você perto da floresta, com uma garota no colo. E ela estava caída, parecia inconsciente. O que fez com ela ? E se você é tão inocente quanto você diz que é, então porque veio aqui, a essa hora da madrugada ? – Eu tentava impor uma autoridade na voz. Algo que era difícil conseguir quando estava com William.

– Anjo, eu não fiz nada de errado. E eu vim aqui a essa hora para te convidar a um passeio noturno. Você aceita ? – Ele disse com um sorriso que me deixava suspirando por horas. Eu tive receio de inicio, mas eu estou com ele a muito tempo, mesmo que eu esteja com medo, ele ainda é meu namorado, e ele merece alguma confiança. Porque… bem… ele me traz segurança.

– Tudo bem. – Disse, me levantando da cama, com uma ponta de desconfiança. Não me importei em me trocar, somente tive o cuidado de não esquecer o meu celular.

Saímos do dormitório em direção a floresta. E foi aí que eu percebi que não foi uma boa ideia topar sair com ele nessa madrugada.

– Então… qual foi o motivo desta caminhada ? – Disse de forma casual. Precisava me conformar de que nada estava errado. Não há nada de errado em passear com o namorado, em uma das mais bonitas noites do verão.

– Anjo, você precisa saber de algo – Sabia. No meu subconsciente eu já sabia. Aguardava por aquele momento. Maldita hora que fui aceitar sair naquele passeio noturno.

– Estou escutando – tentei parecer indiferente. Mas seria impossível não notar o medo na minha voz.

– Se eu te contar quem sou, como você deseja saber, precisarei te matar.

– O quê ? Como assim me matar ? – falei.

– Eu sou, o que pode se dizer, anjo da morte. Trago a vida aqueles que mais precisam, mas também a morte para aqueles que não preservam a divindade da existência.

– Vejo, que agora terá que me matar.

– Sem dúvida, mas antes, temos afazeres inacabados aqui – ele disse chegando mais perto.

– Will… – falei. Mas fui interrompida pelo seu dedo indicador, que pousou em meus lábios me calando.

– Sentirei sua falta – falou puxando-me pela cintura, com um toque sutil, mas ao mesmo tempo firme.

– Will… – falava novamente. Já não sentia mais meu corpo respondendo, estava perdida no desejo. Will sabia como dar prazer a uma mulher, e como ele sabia. Mesmo ela sabendo que estava em seu leito de morte.

Ele colou seus lábios carnudos aos meus. Não havia mais nada em minha mente. Somente desejo e ambição. Não tinha certeza de meu futuro, mas era certa de meu presente. Ele me dava prazer e eu gostava disso. Pude perceber que todo esse tempo, nunca o amei. Nunca senti paixão. Me entreguei a ele de forma impudica, tentando aquietar as chamas de volúpia que flamejavam em meu peito.

Já estava encostada em uma das árvores o beijando como louca. Ele alisava minhas pernas e eu arranhava suas costas. Will arrancava minha blusa em um ato feroz e eu fiz o mesmo com sua camisa atirando-a para o desconhecido.

Ele estava nu, sobre mim. Tirou meu sutiã e começou a roçar meus seios com sua boca, e eu pude sentir sua excitação. Seus movimentos eram rápidos, sua respiração ofegante. Sua pegada era forte, quase machucando, mas eu gostava do jeito que doía. Gostava de tudo o que estava acontecendo. A adrenalina que tomava meu corpo ao pensar que poderia morrer a qualquer instante. Gostava de saber que meu namorado era na verdade um anjo da morte. Tudo aquilo parecia louco, mas no fundo, para mim, fazia sentido.

Assim, minha noite foi encerrada. Estava amanhecendo, devido ao horário, e nós estávamos nos aquietando. Foi neste instante, em um ato repentino que senti uma faca atravessar meu peito. O olhei com urgência, percebi que havia um única e singela lágrima escorregando pelas maças de seu rosto. Não sabia o que ela significava, mas foi a mesma que me fez perder toda minha sanidade mental que me restava, e me deixou partir saciada.